Kleber Denker
EmCristianismo Primitivo: Unidade e Diversidade , Kleber Denker desconstrói a narrativa de que os três primeiros séculos da fé cristã foram caracterizados por uma ortodoxia inicial, pura e uniforme que, posteriormente, sofreu desvios. O autor propõe uma reconstrução histórica reveladora: o cristianismo primitivo foi, desde suas origens, umapluralidade centrada .Denker contesta tanto o modelo tradicional eusebiano — que vê a ortodoxia como ponto de partida — quanto as interpretações radicais de Walter Bauer, que a reduziriam a uma imposição política romana. O livro demonstra que, embora a diversidade doutrinária e prática fosse a regra (visível até nas tensões internas do próprio Novo Testamento), todas essas correntes orbitavam um núcleo comum: a figura de Jesus de Nazaré.A obra percorre a trajetória do movimento, desde a comunidade de Jerusalém e a missão paulina, passando pelos intensos debates do século II contra marcionitas, gnósticos e montanistas. O autor expõe oviés do sobreviventenas fontes históricas e analisa como o que hoje chamamos de ortodoxia não foi um dado imutável, mas uma construção, forjada no calor dos conflitos, através da definição do cânon, da regra da fé e da sucessão episcopal. Em última análise, Denker mostra que a consolidação institucional no Concílio de Niceia (325 d.C.) foi o desfecho de um longo processo de escolhas e exclusões, oferecendo uma leitura profunda sobre como tradições são desenvolvidas, não apenas recebidas.